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Os 50 anos da Legalidade são lembrados na Câmara

Os 50 anos da Legalidade são lembrados na Câmara

O cinqüentenário da Campanha da Legalidade, comemorado no dia 25 de agosto, foi destaque na sessão da Câmara de quinta-feira, 25/8. O vereador Walmor Solano Herrmann (PDT) reservou espaço no Grande Expediente daquela sessão para lembrar o Movimento que garantiu a posse do vice-presidente João Goulart (Jango) na Presidência da República em 1961. Durante o ato, foi homenageado o ex-vereador de Canoas, Ney de Moura Calixto, que, como sargento da Base Aérea de Canoas, teve participação direta no Movimento.

Militares reformados da Aeronáutica, ex-vereadores, ex-integrantes do Movimento, amigos e familiares de Calixto participaram da sessão. O autor da homenagem lembrou o Movimento de 1961, destacando que se tratou de uma campanha democrática. Para Herrmann, foi isso que mobilizou os rio-grandenses em defesa da posse de Jango. O ex-vereador do PDT, Paulo Josué, fez um resumo histórico da campanha, destacando a liderança do então governador do Estado, Leonel de Moura Brizola. Com seus discursos através da Rede da Legalidade (uma rede de emissoras de rádio, requisitadas pelo governador) mobilizou os gaúchos em defesa da constitucionalidade na sucessão do presidente Jânio Quadros, que havia renunciado.

Calixto falou sobre as razões da renúncia de Quadros, a pretenção dos ministros militares e a resistência dos gaúchos. Lembrou episódios de que participou, como o desarmamento dos aviões da Base Aérea que deveriam ser usados para bombardear o Palácio Piratini. Ele fazia parte do grupo de sargentos da Base que se rebelou contra os oficiais, esvaziaram os pneus dos aviões e retiraram o armamento para evitar a decolagem e bombardeio do palácio. Recordou que, em 1964, com o golpe militar, uma espécie de “volta por cima” dos militares, que haviam sido derrotados em 1961, os sargentos sofreram as conseqüências da rebeldia. Como muitos, ele foi expulso da Aeronáutica e torturado nas prisões políticas da ditadura. No final, Calixto anunciou o lançamento de um livro – Os Sargentos da Legalidade - revelando detalhes do Movimento, considerado o “último levante dos gaúchos”.