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Vereadores aprovam moção de apoio às universidades públicas

Vereadores aprovam moção de apoio às universidades públicas

Uma moção de apoio e em defesa das universidades públicas e dos institutos federais brasileiros foi aprovado, na sessão desta terça-feira, 14, pelos vereadores canoenses. No documento, a Câmara Municipal se manifesta contra o bloqueio de 30% da verba dessas instituições, segundo anunciado pelo governo federal.

A moção, protocolada pela bancada do PT, formada pelos vereadores Emilio Neto, Ivo Fiorotti e Maria Eunice, recebeu a assinatura também de parlamentares de outros partidos. O contingenciamento afetará 60 universidades e 40 institutos federais, incluindo o Campus Canoas do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS).

O documento destaca que a justificativa utilizada pelo governo para efetuar os cortes não corresponde à realidade, tendo em vista os resultados obtidos por vários instrumentos de avaliação e desempenho. “Noventa por cento das pesquisas em curso no Brasil são realizadas por universidades federais, em diversas áreas de atuação, principalmente na saúde”, diz o texto.

O documento alerta ainda que o impacto nos orçamentos inviabilizará as instituições a partir do segundo semestre de 2019. A previsão é de que não haverá recursos sequer para garantir o pagamento de contas básicas, como água e luz, além de contratos de segurança e limpeza. A moção será encaminhada ao Presidente da República, ao Ministério da Educação, à Câmara dos Deputados, ao Senado Federal e à Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).

Alunos relatam preocupação com futuro do Instituto Federal em Canoas

Na abertura da sessão, estudantes do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) manifestaram preocupação com o futuro do campus Canoas, onde existem cerca de 950 alunos matriculados nos cursos de ensino médio e superior.

O presidente do Grêmio Estudantil do IFRS - Campus Canoas, Daniel Oliveira Milan, enfatizou que aproximadamente terço dos alunos tem renda familiar inferior a um salário mínimo per capita e destacou o ótimo desempenho dos estudantes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Também citou a qualidade dos projetos de ensino, pesquisa e extensão, muitos deles premiados em competições acadêmicas nacionais. "A educação é um investimento necessário para o desenvolvimento de qualquer sociedade, não um gasto que pode ser cortado quando o governo bem decidir", afirmou.

Representando os alunos do curso de Licenciatura em Matemática, Eduarda Santos de Oliveira, ressaltou que a continuidade do ano letivo está em risco. "Não aceitaremos calados cortes justificados por falácias a respeito da educação pública”, declarou. A direção do Campus Canoas do IFRS vem realizando reuniões com os alunos para explicar os efeitos do contingenciamento de verbas. Caso a medida do governo federal se concretize, a previsão é de que a unidade feche as portas em agosto deste ano. Segundo os dados apresentados, o orçamento anual da instituição passaria de R$ 2,2 milhões para R$ 1,3 milhão, o que não seria suficiente para pagar as contas básicas de manutenção, como água, luz, segurança, limpeza, entre outros. Além dos estudantes, a situação atingirá pelo menos uma dezena de funcionários terceirizados, que precisarão ser dispensados.