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Contaminação no bairro Niterói é tema de Grande Expediente

Contaminação no bairro Niterói é tema de Grande Expediente

A contaminação do lençol freático no bairro Niterói foi tema de Grande Expediente realizado na Câmara na sessão de terça-feira, 18. Representantes da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA) foram convidados a prestar esclarecimentos sobre o assunto, que vem preocupando os moradores da região. Pela manhã, uma ação da pasta suspendeu as atividades de galvanoplastia (processo para recobrimento metálico de objetos com o cromo) na empresa apontada como responsável pelo problema.

A suspensão, que recebeu o aval do Ministério Público e da Fundação Estadual de Proteção Ambiental do Rio Grande do Sul (Fepam), ocorre até a finalização de todos os estudos técnicos. Permanecem aptas todas as outras atividades realizadas na empresa. Segundo a bióloga Nade Janara Coimbra, da SMMA, a empresa está colaborando e arcando com os custos da contratação da etapa de investigação detalhada do problema. A fase seguinte é de análise de risco e verificação da necessidade de remediação.  Após essa etapa, o trabalho ficará sob a responsabilidade da Fepam, responsável pela remediação.

A bióloga enfatizou que sem a conclusão dos estudos não há como determinar a real extensão da contaminação. O comunicado oficial de alerta para a população de Niterói foi emitido pela Prefeitura no dia 5 de dezembro, após a confirmação de contaminação na água do lençol freático devido à presença do metal cromo. Conforme as informações divulgadas, enquanto não se conhece exatamente a extensão da contaminação, como medida de cautela, o Programa Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Vigiagua) da Vigilância Sanitária de Canoas considera como áreas de risco as ruas Júlio de Castilhos, Garibaldi, Minas Gerais e Alegrete, todas desde a BR-116 até a Fernando Ferrari.

A orientação é para que a população da área delimitada não utilize água subterrânea no local, como de poços artesianos. Deve-se apenas utilizar água do sistema de distribuição da Corsan para consumo. Também não é recomendado cultivar vegetais e árvores frutíferas, executar qualquer tipo de obra ou escavação sem autorização do órgão ambiental e permitir que animais consumam a vegetação localizada nessa área. O cromo é um metal pesado que, em altas concentrações na água, causa sérios danos à saúde, entre eles: câncer, hemorragias, trombose cerebral e contaminação de órgãos vitais, podendo levar à morte.

A secretária adjunta do Meio Ambiente, Ione Bruhn Gutierres, salientou que todas as providências estão sendo tomadas de acordo com orientação da Fepam e do Ministério Público. Autor do requerimento que propôs o Grande Expediente, o vereador Emilio Neto (PT), externou a preocupação dos moradores. "As pessoas estão assustadas com a possibilidade de ficarem doentes", ponderou. Na sua avaliação, a Prefeitura agiu de forma responsável ao informar a população, mas está sendo omissa por esperar que a empresa consiga os recursos financeiros necessários para dar continuidade aos estudos, lembrando que a situação já dura mais de um ano. Os demais vereadores também fizeram questionamentos e manifestaram a preocupação com a demora para resolução do caso.